quarta-feira, 10 de abril de 2013


Leo Taxil 
O inicio dos boatos e mentiras sobre a Maçonaria

Gabriel Jogang Pagés, francês nascido em 1854, com o pseudônimo de Leo Taxil, tornou-se origem das acusações de luciferismo e cultos satânicos contra a Maçonaria, acentuando a discordância entre esta última e o Clero.

Leo Taxil teve uma juventude turbulenta, estudando em diversos colégios católicos dos Jesuítas, sendo expulso de alguns deles e sai da casa paterna antes dos 16 anos.

Dedicado inteiramente ao jornalismo, em 1871 já com o pseudônimo de Leo Taxil, para ludibriar seu severo pai, ingressa no “A Igualdade”; funda posteriormente o “La Marote”, a “Jovem República” e em 1874 dirige “O Furacão”.

Em todas essas ocasiões, seus artigos eram uma seqüência de folhetins anticlericais, dos mais violentos, sofrendo diversos processos por excesso de linguagem. Em 1876, foge para a Suiça, voltando posteriormente a Paris. Tinha 24 anos e começa uma carreira vertiginosa uma vez que os republicanos e anticlericais triunfavam. Em 1879 funda a Biblioteca Anticlerical e alimenta a França com uma enxurrada de panfletos sensacionalistas. Ganhou, com o passar dos anos, muito dinheiro e diversos processos movidos pelo Clero.

Em 1881, Taxil havia sido Iniciado na Loja Maçônica “Os Amigos da Honra Francesa”, da qual foi expulso após dez meses, ainda na fase de Aprendiz.

O interesse pela sua literatura sensacionalista decai, as vendas sofreram brusca queda, o que fez que, em 1885, após intensa atividade anticlerical, Leo Taxil declara-se “convertido”, repentinamente, sem transição alguma. Confessa-se e passa a viver com os clericais freqüentando bibliotecas religiosas e aplica um novo golpe: começa a escrever contra a Maçonaria.

Assim, na condição de “católico penitente”, dedica-se, a partir de 1885 à publicações antimaçônicas. Seus livros descreviam rituais maçônicos entremeados de fantasias mirabolantes, passando posteriormente, a inventar e descrever rituais fantásticos, cultos luciferinos, satânicos. Esses livros eram devorados pelos leitores ávidos de sensacionalismo, tornando-se um grande e lucrativo negócio.

O negócio floresceu e chegou ao ponto culminante com a invenção de “Miss Diana Vaughan” no seu livro “As Irmãs Maçons”, onde tal personagem era a sacerdotisa de um culto demoníaco feminino a que chamou de Palladismo. Tal personagem queria livrar-se das garras do satanismo e voltar à Santa Igreja Católica mas era impedida pelos Maçons.

As autoridades eclesiásticas apoiavam de público e através de cartas as “revelações” do autor, chegando algumas delas a oferecer auxílio à fictícia Diana Vaughan. Em visita ao Vaticano, Leo Taxil foi cordialmente recebido por Cardeais e teve uma entrevista pessoal com o próprio Leão XIII.

As obras de Taxil foram traduzidas em diversos idiomas e seus artigos publicados em revistas e jornais católicos. Outros autores, influenciado pelo sucesso de Taxil, e tomando-o como referência, começaram também a explorar o mesmo tema. Durante doze anos toda essa miscelânea de imbecilidades forjadas por Leo Taxil foi devorada por um público cativo.

Apesar da desconfiança de algumas autoridades de tudo não passar de um embuste, os livros de Taxil continuavam a ser vendidos. Sua influência crescia também em outras nações, a ponto de na Espanha e Bélgica serem formadas comissões especiais para investigação da Maçonaria.

Até que finalmente, na Itália, em setembro de 1896, realizou-se um Congresso Antimaçônico em Trento, incentivado pelo Papa Leão XIII. Lá, algumas manifestações de descrédito dos exageros de Taxil começavam a aparecer. O monsenhor alemão Gratzfeld, provou que Miss Diana Vaughan era um embuste, mas não foi levado a sério.

Comissões foram criadas e aí começaram a aparecer dúvidas sobre a veracidade dos escritos e das personagens. Começava, assim, o fim de uma mistificação.

Depois de muito relutar, na Sociedade Geográfica de Paris, Taxil denunciou sua própria fraude, gabando-se de ter conseguido iludir as autoridades eclesiásticas por doze anos. A reação às declarações de Taxil foi de tal ordem que ele teve de deixar o local sob proteção policial. Não mais se ouviu falar sobre Taxil que veio a falecer em 1907.

Eleutério Nicolau da Conceição em Maçonaria Raízes Históricas e Filosóficas - 1ª edição - São Paulo - Editora Madras - 1998, esclarece: “todavia, aplica-se a este caso a conhecida figura do travesseiro de penas sacudido ao vento: é impossível recolher todas as penas”. De tempos em tempos, aparecem livros antimaçônicos, inspirados nas idiotices de Leo Taxil, ou de outro autor inspirado por ele.

E, assim, os Maçons norte americanos, que periodicamente sofrem campanhas movidas por igrejas fundamentalistas, repisando sempre as mesmas teclas de Leo Taxil, referem-se à fraude como “The lie that will never die” – a mentira que nunca morrerá.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O que é Maçonaria, qual a sua Filosofia e Realidade atual


Muitos perguntam o que é a Maçonaria, se ela é uma religião, quais são os seus segredos, seus símbolos e qual é o papel do Maçom na sociedade.     A Maçonaria é uma instituição de caráter filosófico, filantrópico e progressista. Proclama a predominância do espírito sobre a matéria, busca respeitar todos os credos e religiões e evita discussões de política partidária. Utiliza uma variedade grande de símbolos, às vezes entendidos apenas pelos iniciados, mas cujos esclarecimentos estão disponíveis para o público (vide exemplos nos artigos “O significado da estrela na Maçonaria” e “Luz Triunfadora”).

A Maçonaria trabalha para o aperfeiçoamento moral social e cultural da humanidade através da construção do edifício social. A Maçonaria é uma sociedade apenas discreta, sem grandes segredos, pois os seus endereços são conhecidos e a sua doutrina está toda em livros vendidos abertamente. Dessa forma, o grande segredo da Maçonaria é não ter segredo algum, restringindo os seus segredos a sinais, toques e palavras de reconhecimento.


Origem da Maçonaria

Vários autores consideram a Maçonaria como sucessora das tradições dos Cavalheiros Templários, extintos em 1312, e este entendimento é reforçado pelo fato da Maçonaria ter surgido mais fortemente na Escócia, que era justamente o principal local de exílio dos últimos Templários, sendo que no início ela era chamada de Maçonaria Operativa, composta por Corporações de Ofício medievais de construção. Em 1602, com a união da Escócia e Inglaterra pelo Rei Jaime, a Maçonaria especulativa (cada vez menos formada por operários ligados à construção de igrejas e castelos, e mais por filósofos dedicados à construção de uma sociedade melhor) se espalhou na Inglaterra e posteriormente na França, devido ao exílio dos nobres da casa de Stuart naquele País, em decorrência de lutas pelo fortalecimento do Parlamentarismo a partir de 1642. Com a queda definitiva da dinastia dos Stuart e ascendência da dinastia de Hanover, em 1714, houve a necessidade de readaptação da Maçonaria, concretizada com a formação da Grande Loja da Inglaterra, em 1717.

Desde então, houve grande crescimento da Maçonaria no mundo todo, tendo participado dos grandes acontecimentos mundiais desde o séc.18, como, por exemplo, da independência dos EUA, quando os membros mais importantes do recém formado governo americano eram Maçons, inclusive baseando a “Declaração Universal dos Direitos Humanos” na filosofia Maçônica. Foram muitos os momentos que a Maçonaria lutou pela soberania das nações.



Misticismo e Magia na Maçonaria

Na antiguidade as Escolas de Mistérios Egípcias, Gregas e outras, buscavam adaptar o homem ao meio social. Os chamados Pequenos Mistérios visavam ensinar a moral e adequar o homem à vida social, formando cidadãos virtuosos e os Grandes Mistérios ensinavam ciências mais ou menos positivas, visando formar filósofos úteis e sábios, que seriam a luz da civilização.

Com o desenvolvimento filosófico da Maçonaria especulativa, ela passou a ser a principal herdeira das Escolas de Mistérios, com a diferença de que na antiguidade os ensinamentos eram dirigidos apenas para uma casta privilegiada, enquanto a Maçonaria teve como princípio espalhar os conhecimentos. Os Pequenos e Grandes Mistérios estão hoje contidos nos Graus Maçônicos. Por exemplo, o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA) é composto de 33 Graus, cada um com ensinamentos filosóficos e morais que contribuem para o aperfeiçoamento da humanidade e são administrados por Lojas de Simbolismo (Graus 1 a 3), Perfeição (Graus 4 a 14), Capítulo (Graus 15 a 18), Kadosh (Graus 19 a 30), Consistório (Graus 31 e 32) e Colégio dos Inspetores Gerais (Grau 33).

Ao longo do tempo, foram desenvolvidas várias vertentes, ou escolas, na Maçonaria, cada uma dando ênfase a uma determinada face da Maçonaria: a escola autêntica procurou examinar as antigas tradições da Maçonaria à luz dos registros históricos disponíveis; a escola antropológica fez analogia com os antigos mistérios de várias nações para o estudo e pesquisa da história maçônica; a escola mística viu a Maçonaria como um plano para o despertar espiritual e o desenvolvimento interior do homem, na busca de uma união consciente com o Divino, através do despertar induzido pela interpretação e vivência dos antigos Mistérios; finalmente, a escola oculta ou ritualística, deu ênfase na eficácia sacramental do cerimonial maçônico (ritual) como forma de expansão de consciência para a união consciente com o Divino.

A filosofia é atualmente entendida como uma grande reflexão, enquanto que o misticismo, ligado aos mistérios, sempre foi considerado como uma forma necessária a toda religião, pois elas tinham vários dogmas. Entretanto, na antiguidade, a filosofia envolveu de misticismo todas as verdades e os magos fizeram um mistério de cada uma das verdades filosóficas. Dessa forma, a palavra mistério ficou associada à filosofia primitiva e não à religião, e a magia foi envolvida em um manto misterioso, despertando admiração e medo nas pessoas comuns. O folclore a respeito do potencial da magia sempre foi intenso e dependente de crenças individuais, pois nunca existiram fatos observáveis e mensuráveis.

Posteriormente, o conceito de magia foi aperfeiçoado pelos alquimistas, na busca de transmutação de metais inferiores em ouro, que eles consideravam como a substância mais perfeita e imperecível. A realização de experiências químicas à procura da pedra filosofal, que transformaria tudo em ouro, tinha o seu paralelo na busca da iluminação espiritual através da realização da “Grande Obra”, que era a transformação de pessoas comuns em pessoas espiritualizadas, com um estado superior de consciência e sentimentos nobres, através de fórmulas consideradas mágicas. Com o passar do tempo, o conceito esotérico de magia ficou sendo a capacidade de transformação de pessoas através de métodos que não eram de conhecimento geral, sendo que as antigas Escolas de Mistérios tinham esta capacidade de transformação dos indivíduos, sem que se compreendesse bem o seu mecanismo.

Modernamente, Bandler e Grinder desenvolveram os conceitos da PNL (Programação NeuroLinguística) a partir das habilidades linguísticas apresentadas por alguns psicoterapeutas, tornando compreensíveis e suscetíveis de aprendizagem os métodos de transformação das pessoas, detalhando no livro “A Estrutura da Magia” os conceitos e técnicas envolvidos na magia de mudança de comportamento, logicamente centrando na busca de solução dos problemas de ordem psicológica. De qualquer forma, guardadas as devidas proporções, os ensinamentos herméticos de Transmutação Mental (mudança de estado, forma ou condição), considerados a única chave-mestra para abrir todas as portas dos ensinamentos ocultos, estão sendo colocados à prova, considerando a máxima hermética de que poucos em cada geração estão preparados para a verdade, ou poderão reconhecê-la quando ela lhes for apresentada.

Além dos estudos místicos, a Maçonaria prioriza o trabalho e, diferentemente de outras Instituições filosóficas, prega a intervenção social, com a participação efetiva do Maçom na sociedade e no processo político, para promover o seu aperfeiçoamento. Esta utopia de construção do Edifício Social é o grande diferencial da Maçonaria em relação às outras ordens esotéricas, místicas ou filosóficas, porém a concretização deste objetivo utópico tem sido cada vez mais difícil, como veremos adiante.



Situação da Maçonaria no mundo atual

Após um período de grande crescimento, atualmente a Maçonaria encontra-se em um estágio que alguns pesquisadores têm classificado como “declinante”.

Nos EUA a rápida redução do número de Maçons, associado à elevação da idade média dos participantes da Maçonaria, tem causado muitas preocupações a respeito do futuro da Maçonaria naquele País, que tem a maior quantidade de Maçons no mundo, pois, aparentemente, a nova geração não está se entusiasmando em assumir os compromissos maçônicos. De quatro milhões de Maçons em 1959, hoje ela está reduzida a cerca de um milhão e meio.

Na Inglaterra, a Maçonaria tem sido ligada à monarquia e à Igreja Anglicana, resultando que desde o séc. 18, todos os Grãos Mestres naquele País tem sido nobres ligados à realeza britânica, com mandato vitalício e sem eleição, e existe uma certa discriminação, pois para participar da administração da Grande Loja da Inglaterra é necessário que seja Anglicano.

A Maçonaria ligada ao Grande Oriente da França deixou de exigir a crença em Deus e permitiu a filiação de mulheres, rompendo com a Maçonaria da Inglaterra. Foi também criada a Grande Loja Feminina da França, com a filiação de cerca de 7 mil mulheres. Segundo avaliação dos próprios franceses, predomina atualmente na Maçonaria da França o culto ao ritual, sendo dada pouca importância à participação social.



Situação da Maçonaria no Brasil atual

Da mesma forma no Brasil, a Maçonaria embora tenha participado de grandes eventos nacionais como a independência e a proclamação da República, no momento a Maçonaria encontra-se em um estágio que podemos chamar de pouca participação política, desde a instalação do “Estado Novo” de Getúlio Vargas, quando a Maçonaria passou a ter participação decrescente na definição dos destinos do País.

A situação atual do Brasil, de corrupção endêmica e institucional, limita severamente a possibilidade de atuação da Maçonaria no governo. Historicamente, a Maçonaria ganhou força através do apoio e da participação de Maçons em cargos importantes no governo, como na proclamação da República no Brasil, quando todo o gabinete inicial era formado por Maçons. Entretanto, em consequência da falta de perspectiva de solução do problema da corrupção endêmica, tem sido crescente a tendência da Maçonaria, como instituição, de distanciamento político do governo, não importando qual o partido que esteja no poder.

Os altos custos envolvidos nas campanhas políticas criam a necessidade de levantamento de recursos extraordinários para a manutenção dos cargos políticos. Aparentemente, essa grande exigência de recursos para que os políticos possam viabilizar os projetos de disputa de eleições, criam o ambiente generalizado de corrupção pública atualmente existente no Brasil. O ambiente mínimo de segurança para estas atividades ilícitas foi criado com a prerrogativa dos governantes em nomear juízes do Supremo Tribunal Federal, dos Tribunais de Contas, as cúpulas do Ministério Público, da Polícia Federal e das Polícias Militares e Civis, garantindo uma hegemonia e fortalecimento do grupo no poder. Desse modo, todas as ações anticorrupção perdem força e eventualmente estas instituições podem até ser utilizadas contra os adversários políticos. É lógico que esta segurança é relativa e sujeita à perda de controle, se o clamor público atingir níveis insustentáveis, como mostra o julgamento do STF a respeito do mensalão.

Entretanto, normalmente esta estrutura no poder funciona bem e até mesmo os adversários são poupados, pois a possível alternância política recomenda cautela e tolerância para com aqueles que poderão vir a ocupar o poder no futuro. Este não é o caso de eventuais agentes isolados que porventura tentem moralizar o processo político, atuando como verdadeiros Dom Quixotes, pois estes podem ser simplesmente afastados administrativamente, se exercerem cargos de confiança, ou passarem a responder processos e acusações infundados, sofrendo pesadamente com as instituições sob controle do grupo no poder. Grande parte da imprensa (jornais, televisões e blogs), altamente dependente do governo e regada generosamente com verbas governamentais, contribui para desmoralizar qualquer adversário do governo. Se tais represálias não forem suficientes, resta ainda enfrentar as armadilhas montadas ou o criminoso braço armado a soldo de quem possa pagar.

Neste contexto, a convivência com os níveis decisórios do governo implica necessariamente em conivência ou emudecimento. A Maçonaria não dispõe de condições para lutar contra este estado de coisa. Qualquer tentativa só irá gerar desgastes e processos contra a instituição e, por este motivo, é crescente a alienação dos Maçons no processo político. Esporadicamente são gerados manifestos políticos inócuos. Mas esta situação não ocorre apenas com a Maçonaria: as organizações ligadas a empresários também são forçadas a se alienarem, pois a pesada carga dos tributos, aliada ao cipoal da legislação tributária e trabalhista, criam grande fragilidade dos empresários, de todos os portes, em relação ao governo. Mesmo que venha atuando com muita correção no mercado, basta se falar em devassa fiscal nas suas empresas para que qualquer empresário passe de opositor a colaborador incondicional.

Consequentemente, no Brasil resta à Maçonaria a atuação como Clube de Serviço ou como instituição filosófica, limitando sua capacidade de transformação social. 




Conclusão

A Maçonaria é uma Ordem universal, sem objetivos lucrativos, que tem por finalidade a busca do aprimoramento moral de seus membros e da humanidade, através da investigação constante da verdade e da prática das virtudes. Ela defende a liberdade de pensamento e de expressão e combate a ignorância, a superstição e o fanatismo. Talvez por esse motivo, existe uma enormidade de visões da Maçonaria, tendo, na prática, cada Maçom a sua visão pessoal da Ordem, por isso às vezes é difícil responder de forma definitiva o que é a Maçonaria. Entretanto, alguns postulados e princípios gerais, chamados de landmark (antigas leis que regem a Maçonaria universal) são amplamente aceitos.

A Maçonaria não é uma religião e isto já ficou legalmente estabelecido em decisão do STF.  Embora não seja uma religião e pregue a convivência respeitosa com todas as manifestações religiosas, o relacionamento com as várias organizações religiosas tem sido muito problemático ao longo do tempo, como se pode verificar no artigo “A Maçonaria é Luciferiana?”.  Além do mais, devido à existência de uma infinidade de calúnias e difamações, é importante ressaltar que a natureza da Maçonaria não é incompatível com os verdadeiros valores cristãos, conforme discutido no texto "A verdade sobre Jesus Cristo e sua relação com a Maçonaria".


Em termos práticos, a utopia de construção do Edifício Social, através da intervenção social tem sido negligenciada em vários países, por diversas razões. Além disso, existe um sentimento generalizado de falha ou deficiência na divulgação dos elevados preceitos da Maçonaria e uma certa apatia na defesa de acusações injustas feitas à Ordem ou a seus membros. A Maçonaria ainda mantém um culto ao "Poder do Silencio".

O pensamento místico e filosófico que ainda predomina na Maçonaria, tem contribuído para a sua aura de mistério e induzido muitos Maçons à reflexão, mas o respeito mútuo, a tolerância e a integridade pessoal têm sido os principais alicerces para a utopia restauradora que se espera da Maçonaria para este 3° milênio.




Texto de Manoel Tavares Santos

As conclusões deste artigo são opiniões pessoais do autor e não reflete a posição institucional da Maçonaria.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Um Presente aos Mestres de Harmonia

A cerca de 3 anos, venho desenvolvendo um software para a “Harmonia”  de Lojas Maçônicas, usei como modelo as antigas cartucheiras de Rádios FM. A facilidade de uso é um dos seus pontos fortes, você pode criar seu repertório para os diversos tipo de sessões como Aprendiz, Magna, etc.  além de criar  álbuns Personalizados; Conta com controle de volume, avanço rápido, luz de cortesia, ponto de inicio, arraste e solta entre outras funções que ao poucos vou publicando aqui no Blog.





Tenho disponibilizado cópias a Irmãos das diversas cidades de minha região, e seguindo o espírito de fraternidade de nossa ordem resolvi disponibiliza-lo a todos através do Blog Maçom de Guariba.



Instruções para a Instalação



Ao clicar em DOWNLOAD, abrirá um nova janela do MEGA pedindo autorização para efetuar o download do arquivo Harmonia.rar, aguarde até o final, após descompacte o arquivo criando uma nova pasta no diretório desejado,  tecle “Bandeirinha+E”, localize a pasta “Harmonia” criada, dentro dela “Hamonia.exe”, clique com o botão esquerdo do mouse para criar um atalho na área de trabalho. Pronto agora é com Você...



Conexão


Eu utilizo o antigo sistema de som de minha loja, coloco o divisor na saída do Notebook, conectando ao auxiliar do amplificador de som, e a outra saída para um fone de ouvido, simples assim.



quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Obrigado Senhor por nos ter permitido atravessar mais um tempo em nossas vidas, mantendo-nos firmes em nosso desiderato de “Tornar Feliz a Humanidade”. Foi difícil? Quase irrealizável? A resposta está em Goethe:

"Quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o Universo conspira a seu favor".

Expressar gratidão eleva nosso espírito, nos aproxima do Sagrado e faz renascer o Divino que habita cada um de nós, seja qual for nossa confissão de fé, pois Ele reside na Esperança, no Amor, na crença e no desejo de fazer o outro feliz.

Envolvidos pelo mistério da Ressurreição, aproximamo-nos da conclusão de mais um ciclo existencial. É tempo de reavaliar nossos propósitos e expressar de forma contundente nossa Fraternidade, nossa Solidariedade para com todos, fazendo de nossos exemplos o norte para as mudanças que pretendemos implementar na Sociedade. Venham ou não os resultados externos, nossa consciência tem que estar tranquila.

Ao reverenciar, em mais este Natal, o mistério da chegada do Mestre dos Mestres entre nós, possamos sentir verdadeiramente o quanto Ele tem sido benevolente para com todos; possamos entoar louvores ao G.·.A.·.D.·.U.·. por essa graça.

Que a Luz Renovadora deste Natal possa nos guiar em busca das oportunidades que o Ano Novo nos trará.


Essa é a mensagem de fim de ano dos Irmãos Maçom de Guariba

quinta-feira, 29 de novembro de 2012


O Segredo é Saber Como Morrer.

Invariavelmente, tenho por costume em minhas oratórias, ilustrar as mesmas com uma frase, pensamento ou alguma citação feita por algum filósofo ou escritor cuja sapiência seja por demais inconteste que a mera síntese da frase esclareça o tema sem a necessidade de se prolongar a fala.

Como o tema desta noite é por demais delicado, e por que não dizer, de difícil tratativa, resumirei aqui os ensinamentos do Grau de Mestre Maçom na frase contida em um dos livros do escritor norte-americano Dan Brown, autor de diversas obras literárias de sucesso mundial, dentre elas o famoso "O Código Da Vinci", que em seu último livro, intitulado "O Símbolo Perdido", que tem como tema de fundo a maçonaria, inicia o primeiro capítulo com a seguinte frase:

"O segredo é saber como morrer." 

Pronto. É esse o tema de hoje: a morte! E aí, vocês estão preparados?

(...   .’.   ...) 

A Morte é um dos maiores mistérios da vida, se não for o maior deles. Justamente por ser um mistério, ela é temida pela grande maioria das pessoas. A temática da morte está presente em todas as formações religiosas, devido a obscuridade que a envolve. Blaise Pascal dizia: "Tudo o que sei é que devo morrer em breve; mas o que mais ignoro é essa mesma morte, que não saberei evitar".

Para pensarmos na morte, devemos ter em vista que a mesma comporta vários níveis de interpretação e de compreensão desde o mais básico, como o biológico quando um ser vivente atinge um nível de desorganização em que ocorre a cessação dos processos vitais, passando pela simbólica podendo ser sócio-cultural, envolvendo os processos de se morrer, até a morte no sentido mais metafísico que é a morte espiritual.

A questão por si só nos causa tanto medo, que passamos a maioria da vida, e por que não dizer a vida toda, fingindo que ela não existe. Mas ela existe. Evitamos tocar no assunto, geralmente deixando discussões mais acaloradas para filósofos, religiosos ou estudiosos. Voltaire manifestava-se, ainda enfermo, quase moribundo, bradando inconformado: "Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino."

Um belo dia, porém, quando menos se espera, ela chega bem perto de nós. Somos obrigados a encará-la de frente, em geral isso acontece quando ainda somos crianças, aos poucos, vemos partir nossos avós, tios, pais, irmãos, parentes, vizinhos, amigos, isso quando a natureza não resolve atropelar a ordem natural das coisas e muda tudo nos tirando do convívio pessoas que julgamos inaptas para morrer. Mas afinal, quando é a hora certa de se morrer? 

Relembro-vos: "O segredo é saber como morrer." 

Alguns, julgando-se suficientemente esclarecidos diriam que o segredo não é saber como morrer, mais sim saber como viver. Como se alguém, de alguma maneira, em infinita sabedoria, pudesse escolher a vida que outro queira, ou possa levar. Ledo engano. Cada um é senhor do próprio destino. Ninguém é dono da vida de outrem.

Mas talvez, para sabermos como morrer, devamos sim saber dar sentido à nossas vidas. E o que dá sentido à nossas vidas, senão o amor, a amizade, a devoção à um Ente Supremo, a caridade, a esperança, a vida em harmonia, a paz interior, enfim, a busca da felicidade? Honoré de Balzac dizia que: "O homem morre a primeira vez quando perde o entusiasmo".

Sócrates, filósofo grego, a 4 anos a.C., condenado a tomar cicuta, manteve uma serenidade única que talvez tenhamos que aprender à aprimorar, já que morrer é o destino que nos aguarda em futuro incerto, mas inevitável. Segundo ele, a morte em nenhuma hipótese poderia ser um mal, ou seria um sono profundo, sem sonhos, ou a passagem para outro mundo, outra dimensão, onde talvez possamos reencontrar todos aqueles que partiram antes de nós, e que nos são queridos. Convenhamos, até para o mais convicto dos ateus, a lógica de Sócrates, o Pai da Sabedoria, é irrefutável!

Estas considerações mostram que nós devemos criar nosso próprio sentido para nossas vidas, independentemente de essas vidas servirem ou não a um propósito maior. Se há ou não vida pos mortem só saberemos após morrermos. Tão óbvio e tão ululante, como diria Nelson Rodrigues. Se nossas vidas têm ou não sentido para nós depende de como as julgamos. A ausência ou presença de algum propósito superior é tão irrelevante quanto a finalidade da morte. A alegação de que nossas vidas são, “em última análise”, inúteis, não faz sentido, porque elas teriam ou não sentido independentemente do que fizéssemos. Questões sobre o sentido da vida são questões sobre valores. Nós atribuímos valores para coisas na vida em vez de descobri-los. Nada tem valor por si só. Nós é que valoramos as coisas. Não pode haver outro sentido na vida senão aquele que criamos para nós mesmos, pois ninguém pode atribuir valores para todas as coisas por nós. 

O que faz nossas vidas terem sentido é acharmos que as atividades que fazemos valem a pena. Nossa determinação para levar adiante projetos que criamos para nós mesmos dá sentido às nossas vidas. Sentimos que a vida é inútil quando a maior parte dos desejos que julgamos importantes é frustrada. Achar nossa vida importante ou não depende de quais objetivos importantes são frustrados. O julgamento que fazemos de nossas vidas nestes pontos é igualmente independente de a vida ser ou não eterna ou de ela fazer ou não parte de um propósito maior. Talvez o segredo de uma vida com sentido seja dar importância a aqueles objetivos que podemos atingir e minimizar aqueles que não podemos, desde que saibamos a diferença entre eles.

(...   .’.   ...) 

Em resumo: "O segredo é saber como morrer." 

Agora sois Mestres Maçons, devidamente investidos das prerrogativas que o grau lhes concede. Doravante podereis votar, ser votado, ocupar cargos, desempenhar funções, etc. Mas já provaram serem preparados para a vida maçônica pelo comprometimento que demonstraram desde suas iniciações.

Comprometer-se é mais que estar envolvido, interessado, obrigado, responsabilizado. É botar paixão no que faz, dar sempre o “algo mais”, se destacar apresentando diferentes soluções, aliando empenho, iniciativa e criatividade. Em suma, é saber dar sentido à vida. E como aprendemos hoje, saber dar sentido à vida é o primeiro passo para se descobrir o segredo de saber como morrer.

Desejo de todo coração que vocês descubram o segredo se saber como morrer. Mas que vossas vidas sejam infinitamente longas, longas o suficiente para descobrirdes.
M.’. M.’. PAngelis
28/11/12